sexta-feira, 28 de janeiro de 2011


Desisti do Big Brother e daí?

O que levou um homem bonito, charmoso e até com torcida organizada a abandonar a oportunidade de ficar nacionalmente famoso e desperdiçar a chance de ganhar um milhão de reais?


A notícia de que estava desistindo de um “reality show”, como o Big Brother, fez surgir inúmeras dúvidas na cabeça de milhões de brasileiros. E com essas dúvidas, críticas, muitas críticas: quem ousaria dar às costas para um programa onde se pode ganhar um milhão? Quem desperdiçaria uma galinha dos ovos de ouro? Um lunático? Um cara cheio de frescura? Um arrogante antipático? Um riquinho metido à besta? Essa ainda, depois de quase um ano e oito meses da oitava edição, é uma dúvida que muitos araraquarenses têm. Para relembrar a história, o administrador de empresas, Gregor Ferreira, 35, substituiria o professor de educação física Gustavo, que contraiu rubéola, mas pediu à produção do programa para se retirar da disputa. Essa decisão bastou para gerar todo tipo de polêmica em cima da vida do rapaz. Ele que é formado em administração de empresas pela Uniara, conta que é um araraquarense da gema e que sempre morou e estudou na cidade. Indagado sobre a fama de ser antipático, ressalta que isso deve ter surgido na época de Big Brother, quando algumas pessoas colocaram isso na mídia. Como ninguém é obrigado a depor contra si mesmo, o administrador explica que isso também se deve ao fato de ser uma pessoa um pouco mais reservada. “Por ser um pouco mais fechado, às vezes, pode parecer que eu seja um pouco antipático, mas tenho certeza que as pessoas que me conhecem, e convivem comigo pensam o contrário”, defende-se.

Cobrança

Com a desistência, Gregor conta que foi muito cobrado. No hotel, sem contato com o mundo externo, ele não fazia idéia do que estava acontecendo. Na hora que saiu sofreu um grande impacto. “Araraquara não é uma cidade tão grande. No início foi meio complicado. Inclusive, você é julgado por coisas que não existem.” Para se ter uma idéia, até a vida dos vizinhos é transformada. “O que é mais impressionante disso tudo é a velocidade da mídia, de informação e do que as pessoas ficam sabendo. O pessoal vai atrás até de seus vizinhos. Só Deus pode me julgar. Houve milhões de calúnias sobre a minha vida, a respeito do porquê da minha desistência”. Embora não se arrependa, ele até lamenta por ter de alguma forma decepcionado os amigos. “Todo mundo quer te ver na televisão.” Até que foi recorde de indisciplinas no Tiro de Guerra acabou sendo lembrado. Rindo, ele não nega o fato, mas adianta que como teve que ficar mais um tempo recebeu um título de honra ao mérito. Ele avalia que se tivesse ficado, claro que sua vida momentaneamente teria mudado. “Convites para festas e eventos. Valorizo as pessoas que saem do programa e dão continuidade, que têm potencial para isso e prossegue fazendo coisas boas. Não me arrependo de ter me exposto”, diz acrescentando que as pessoas que o criticam não o conhecem verdadeiramente. Nessa história toda o que mais o emocionou foram as pessoas humildes que encontrou em locais como supermercado e que fizeram questão de conhecê-lo e lhe dizer que queriam torcer por ele. “Isso me tocou, mas você lá dentro não sabe o que estão fazendo de mídia.” Ao final da entrevista passamos a achar que o jeito que parece arrogância é na verdade segurança e, afinal de contas, ser bonito não é pecado. Dar as costas para um Big Brother sim. Mas essa decisão não é para qualquer um. É para Gregor Ferreira.

A verdadeira história

Gregor conta que quando tudo aconteceu estava passando por um momento conturbado de sua
vida, principalmente o problema da doença de seu pai. Ele conta que a inscrição nem foi feita por ele. Tudo foi por intermédio de uma prima. “Bolou todo o negócio e eu somente coloquei no correio. Isto foi uma história até muito engraçada, pois um dia estava no escritório trabalhando e resolvi dar uma olhada no site e tinha a ficha de inscrição do Big Brother. Como um curioso qualquer resolvi dar uma olhada nas perguntas que faziam. Nesse momento minha prima me ligou. Perguntou o que eu estava fazendo. Sugeriu que eu imprimisse as perguntas. Ela assistia ao programa mais do que eu. Ela acabou me ajudando a responder algumas perguntas específicas do programa. Depois para montar o vídeo para a inscrição, ela me filmou em casa falando um pouco de mim. A única coisa que fiz foi colocar no correio. O vídeo ainda ficou esquecido em cima da mesa durante quase um mês antes de ser enviado.” Cadeira elétrica Em dezembro de 2007, o chamaram pela primeira vez. Foi para o Rio de Janeiro para uma série de entrevistas. “Acredito que me dei bem, porque se a pessoa quiser tentar o Big Brother não basta fazer um vídeo e escrever bonitinho no papel. A prova final desse pessoal, dessa produção e diretores do programa, como o Boninho, é no dia. O que chama de “cadeira elétrica”, pois nos bombardeiam com uma série interrupta de perguntas de vários tipos. Fotógrafos, câmera, enfim a Rede Globo em cima de você. Quem não está acostumado com isso acaba se intimidando. Acho que nesse momento é que a pessoa passa ou não passa.” Ele passou. Desencanado com a história de Big Brother, Gregor recebeu mais uma ligação da produção do programa. A definitiva. Ficou durante seis dias confinado num quarto do hotel Copacabana. Sem contato algum com o mundo externo, sem janelas. Sem esse contato com o mundo externo, Gregor teve tempo para refletir se era realmente isso que queria. “Lógico que dinheiro e fama todo mundo quer. Agora minha dúvida era se eu estava realmente disposto a ver a minha intimidade em rede nacional. Esta dúvida persistiu desde o segundo dia. Fiquei seis. Isso mais o problema na família. Acho que não era a hora certa para eu estar lá me expondo.” Pediu para sair. E foi atendido

Um pouco de Gregor

Hoje Gregor Ferreira gerencia alguns negócios de seu saudoso pai, Gumercindo Ferreira, no ramo de imóveis, além de ser sócio da empresa ABP Eventos, responsável pelas famosas festas da Boss Party. Filho de Helenice e do saudoso Gumercindo. Irmão de Greice e tio de Luca. Namorado da Daniela. A família para Gregor é base de tudo. Um porto seguro. “É onde você se estabiliza, onde você segue o caminho correto. Segurança. É tudo”, diz convicto. Praticante de boxe, frequenta a Academia Arara Azul e não está fora de cogitação participar futuramente de competições. A prima que o acompanha nessa entrevista brinca dizendo que uma das coisas que o moço mais gosta de fazer é “encher o saco”. Ele ri, negando e acrescenta que aprecia as coisas que a maioria das pessoas gostam que é passear, viajar, namorar, sair e convidar os amigos para a sua casa. “Sou bastante eclético”. Gregor é um dos responsáveis pela Boss Party, uma festa dividida em duas partes: a White que acontece em março e a Black em agosto, que está no quinto ano e que cresce a cada nova edição. É um evento onde as pessoas têm que ir de branco, e com isso movimenta o comércio da cidade, além de empregar quase uma centena de pessoas. “Esperamos trazer muitas novidades na festa dos cincos anos, que deve acontecer no início do próximo ano”.

Lição de vida

O saudoso pai de Gregor, Gumercindo Ferreira, sempre foi um herói para ele. “Até o final da minha vida, com certeza. Vou seguir os pensamentos dele”. A Chaban foi uma das maiores fábricas de Araraquara, mas acabou fechando. “Esse negócio da Chaban foi fantástico, fez muita coisa boa para Araraquara, além da Chaban, ele era delegado da Fiesp trazendo várias benfeitorias para a cidade, como o terreno para o Sesi. Ele sabia sempre a hora que teria que parar. “A fábrica era conhecida nacionalmente, tanto que o Paco Rabanne, famoso estilista, nos licenciou para fabricar as calças dele no Brasil.” O administrador explica que com a abertura da importação na época do Collor, os produtos subsidiados da China devastaram não só a Chaban, mas várias empresas como as da cidade de Americana (SP), por exemplo. “Então, acredito, que meu pai fez a coisa certa na hora certa fechando a fábrica. Não tínhamos como concorrer com esse pessoal”. Ele diz com imenso carinho que a maior lição que seu pai lhe deixou foi a honestidade. Quanto a Araraquara, Gregor diz que simplesmente adora a cidade. “É uma cidade fantástica e logisticamente falando muito interessante. Acredito muito neste novo governo com Marcelo e Valter. Tenho acompanhado e estou vendo que estão fazendo o marketing que Araraquara precisava e se Deus quiser vou morar aqui o resto da minha vida. Se eu puder, vou fazer alguma coisa que Araraquara que traga algo benéfico para a cidade. Acredito que daqui a uns cinco anos essa cidade vai ser a bola da vez.” O administrador de empresas conta que ainda tem muitas coisas para fazer, principalmente na área de eventos e também no que se refere a um projeto que está analisando. “Este projeto vai ajudar bastante esta cidade onde meu pai nasceu, cresceu, produziu e onde também quero fazer o mesmo. Tenho muito gás para queimar ainda”, promete.
(Publicado em 6 de setembro de 2009)

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