sábado, 29 de janeiro de 2011


Gê Negrão – Geraldo Hilário da Silva Filho


O famoso apelido surgiu principalmente por conta de ser moreno e por gostar de música, em especial o samba



Nascido em Araraquara no dia 5 de janeiro de 1954, esse grande cara, literalmente, passou a primeira parte de sua infância no São José. “Me lembro que brinquei muito no parque infantil ‘Carmelita Garcez’ e outra parte passei no bairro do Carmo, onde morei até os 17 anos”. Gê, que é engenheiro civil, trabalha numa empresa, mas nunca abandonou a sua grande paixão que é a música. “Essa paixão começou no grupo escolar ‘Florestano Libutti’, onde o diretor era o Aristides Bussadori. “Eu tinha 8 anos de idade e já cantava. Também me recordo que no grupo tinha um orfeão e eu sempre fui ligado à arte. Se não me engano, uma sexta-feira de cada mês, as classes, naquela época, cantavam o Hino Nacional no galpão do grupo e cada classe tinha um ou dois alunos que recitavam, faziam poesia.
Eu sempre estava no time daqueles que declamavam. No próprio grupo tinha o Orfeão regido pela Maria Gaspar. Assim, duas vezes por semana quando terminavam minhas aulas pela manhã eu ficava junto com um outro amigo, o Gilson. Os ensaios aconteciam no anfiteatro da escola para ensaiar o canto orfeônico. Eu gostava daquilo.” Gê se recorda que sempre assistia ao programa Clube dos Artistas, especialmente o Almoço com as Estrelas, com Airton e Lolita Rodrigues. “Eu via as orquestras tocando e observava os bateristas. Eu via, mas não tinha essa informação. Assim, arrumei algumas latas, umas maiores e outras menores e montei uma bateria no fundo de casa. As vezes fico pensando que idéia foi essa de montar uma bateria e tocar com o cabo de vassoura? Tocava do meu jeito, mas o ritmo já estava ‘ juntando’ com a parte de canto.” Nessa questão de ritmo, Gê Negrão conta (rindo) que o músico Didinho Haddad sempre o convidou para tocar com ele, para estudar. “Ele é baterista e considera que eu tenho um ótimo ritmo. Eu nunca fui. Didinho até hoje me diz que está me esperando para eu ir a casa dele cada vez que nos encontramos.”

Os Bersanetti

Assim o tempo foi passando. Gê terminou o grupo e começou o ginásio e lá tinha um grupo de amigos, de uma família tradicional do Carmo, os Bersanetti. Dinho, Salame, Carlinhos Bersanetti, Lelei, Mirandinha, Caduco, Tuca, Zinho, Desastre e outros. “Eles tinham um grupo de samba que sempre se reunia no carnaval e eu era muito amigo da família e nisso ficava vendo o pessoal tocar. De vez em quando alguém dizia para pegar um instrumento como um tamborim. Assim comecei a tocar com eles.
Quando dava os intervalos da orquestra do Clube 22 de Agosto a gente entrava e começava a cantar aqueles sambas antigos e aquilo foi ‘virando’.” Nessa mesma época o ginásio Victor Lacorte não tinha fanfarra. “Assim, todos os alunos, juntamente com o diretor da época, Paulo Cochar, arrecadaram dinheiro, adquiriram instrumentos e montaram a primeira fanfarra da escola. Mas eu já estava me formando e quase saindo de lá, pois não tinha colegial.” Quando foi para o EEBA em 70, a primeira providência de Gê Negrão foi fazer parte da fanfarra da escola. “Em 71 eu já era instrutor da fanfarra e lá fizemos uma revolução colocando as meninas para tocar na fanfarra. Surpreenderam, pois tocavam muito bem, algumas superavam os meninos em talento”.

Festivais e serenatas

Dali do EEBA Gê começou a participar de festivais de música em Araraquara acompanhando alguns grupos, mas sempre na percussão. “Nessa época eu já havia começado a estudar violão. Quando terminou o colegial, fui para a faculdade (Logatti) de engenharia civil. Nessa mesma época conheci o Zé da Conceição e cantei muitas vezes com ele.” Gê conta que também montaram as escolas de samba, as baterias do Clube Araraquarense que fizeram, segundo ele, sucesso pra ‘xuxu’ nos anos 70. “A Escola de samba ‘Apesar de você’, onde o Tadeu Correa da Silva, Cardoso, Padeirinho, Salomão, Carlão, Marinho Belarde, Teroca, Claudião, Aru, Tuca, Paulinho Pasetto, Toninho Bitinga, Vartela, Amarelinho, Lau, Abi, Borghi (in memoriam), meu irmão João Renato (in memoriam), Ivan, Sergio Português, Carlinhos Java (in memoriam), Chiquinho Baterista (In memoriam), entre outros, tocavam também.” Gê conta que foram tocando e fazendo serenata. “Sempre gostei de fazer serenata com um grupo de amigos. Desde a época do ginásio. Escolhíamos uma menina e lá íamos nós. Muitas vezes bastava dizer que morava uma menina em certa casa que fazíamos serenata, às vezes nem sabíamos quem era. Às vezes aparecia, pai, mãe que convidava a gente pra entrar e a gente não sabia o nome de ninguém. A gente cantava pra eles também que gostavam”.

Pedaços de Choro

Essa paixão por cantar fez com que Gê também integrasse grupos musicais. “Desde 96 faço parte do grupo ‘Pedaços de Choro’, que tinha em sua composição Flávio Módulo, Tinho, Carlinhos Bersanetti, Marcos Lima, Itamar e Peru (in memoriam). De 1989 até 2007 fiz parte do Coral Araraquarense regido pelo maestro Moacyr Carlos Júnior e depois passei a integrar o coral Cantus Nobile, regido por Susy Mendes, além disso toco flauta transversal e sax”, conta dizendo que está sempre estudando. Negrão revela que adora música erudita e popular e que estuda flauta com o amigo e professor Claudinho Pesse, além de tocarem juntos.
Quando era garoto, o pai de Gê Negrão sempre quis que tocasse um instrumento. Foi quando começou com o violão. “Meu pai queria que eu tocasse sax e que meu irmão tocasse violão. Assim, eu e meu irmão fomos levando o violão e o sax ficou pra trás. Depois de muito tempo fui vendo, tocando, por estudar flauta, outros instrumentos, jazz, música brasileira fui me apaixonando pelo sax tanto quanto sou pela flauta.” Gê Negrão reflete ao ser indagado sobre fatos marcantes que ocorreram com ele durante sua trajetória musical. São tantas coisas que ele declina de falar, ele que também tocou muito na noite, orgulha-se de ter tido contato com grandes músicos. Recentemente uma das filhas de Gê, Marina, se casou. Ele entrou na igreja e ficou esperando pela filha ao invés de fazer a tradicional entrada do pai levando a noiva até o altar. “Todo mundo ficou na dúvida se perguntando como é que eu tinha entrado e a minha filha não? Mas eu peguei o microfone e fui ao encontro dela cantando ‘Marina’, conta ele emocionado. Assim é Gê Negrão, não somente um homem grande, mas um grande homem.

Grandes caminhos

Para Gê Negrão a música e o esporte são o grande caminho que leva à disciplina e ao respeito. “Quando você estuda música tem que cantar um pouco mais baixo, principalmente quando canta em coral e toca em grupo, pois não posso dar um acorde adiantado do outro. Tenho que esperar, respeitar o tempo para chegar naquele outro acorde, respeitar o volume que estou cantando para aparecer aquela outra voz. Isso já é disciplina, ou seja, meu direito vai até a hora que para lá e começa aqui, começa aqui para lá.
Todos juntos, um não pode destacar do outro, onde tenho que me preparar bem se não vou estragar o dos outros. Então, tanto na música quanto no esporte, pois são paralelas, não adianta a equipe treinar e eu não. Na hora em que for jogar vou atrapalhar o jogo.” Gê Negrão é filho de Geraldo e Maria, irmão do saudoso João Renato.
É casado com Pia há 30 anos é pai de Marina e de Carolina. Para ele ainda falta muita coisa para realizar. “A gente sempre tem vontade de fazer alguma coisa a mais”, diz ele acrescentando que seu envolvimento com a música e com o esporte o ensinaram muito e agradece a todas as pessoas que possibilitaram isso a ele, da disciplina às orientações, principalmente na maneira de se viver, valorizando todas as coisas da vida.

Vôlei

Por conta da alta estatura, Gê Negrão quando entrou para o EEBA passou a jogar na seleção juvenil e jogar na seleção de Araraquara. “Joguei vôlei de 1970 a 1977, sendo que em 73,74, joguei pela cidade de Bauru.” Indagado sobre o porquê não ter seguido com o vôlei, Gê conta que não havia esse incentivo como agora. “Era muito mais difícil. Teve gente que até chegou a ser convocado para uma peneira que teve para a seleção paulista.
Tinha um time bom em Araraquara, onde jogava o Yanke, o Turco, Gil, Tato, Lopasso, Paulo Schwartman, Tatalo, Brandão, Adalberto, Tomás, Lopassinho, Carlinhos Haddad, Nelsinho Solci (in memoriam), Marco Antonio Haddad, o Miudinho (in memoriam), entre outros. Joguei com todo esse pessoal”, diz saudoso não se esquecendo de citar que o técnico era o professor Urias, no EEBA, o professor Volmes.
Um fato marcante Uma vez jogando vôlei por Bauru contra o Santo André, em São Bernardo, mais de 85% dos jogadores eram da seleção brasileira, inclusive um dos jogadores era o famoso Moreno. Certa hora do jogo Gê Negrão se viu frente a frente com ele, que era seu ídolo. Sobrou uma bola para ele, Moreno. Ele ‘subiu’ deu a maior pancada do mundo. A bola espirrou longe. Ponto deles. Aplausos e mais aplausos. Quando ele passou pertinho da rede disse baixinho para Negrão sem que ninguém percebesse: “desculpa cara”. Para Negrão isso foi demais, pois ele teve que fazer aquela cortada. Regras do jogo. Mas a verdade é que se o golpe pega na orelha ‘matava’.

(Publicado em 14 de março de 2010)

Um comentário:

  1. Olá, amiga, tudo bem?
    Não consigo postar no seu outro blog. Estou com problema e não consigo resolver. Tenho visitado completamente silenciosa. Ohhh dureza...Pessoas confusas não deveriam ingressar no mundo digital rsrs.
    Bjs, em divina amizade.
    Sonia Guzzi

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