sexta-feira, 28 de janeiro de 2011


Zezé Bellini: sua voz é sua identidade

A carreira da araraquarense, nascida lá pelas bandas da Vila Xavier, Zezé Bellini, foi iniciada direto na televisão. Era 1979. Na TV, Morada do Sol. Na infância, uma menina sapeca, falante, curiosa e que fazia muitos amigos. Na escola, já fazia declamações e recitava poesias. Já adulta começou a trabalhar como administradora de empresas, gerente de uma financeira. Até que um dia, estando de férias, foi levar uma sobrinha para um programa infantil na TV Morada quando encontra Alceu Patrício de Almeida Santos. “Ao me ver no corredor ele disse que era eu quem estavam procurando. Pensei: não sou fugitiva da polícia, nem nada. Ele chamou o diretor Valdemar de Morais e reafirmou que eu fazia o tipo de comunicadora que estavam procurando. Alceu sugeriu que eu fizesse um teste, pois ele me conhecia e acompanhava os meus trabalhos no Colégio Progresso. Passados uns dois dias fui fazer o teste. Me assustei quando fiquei sabendo que era para televisão. Tinha 26 anos. Havia meninas lindas. Tinha até uma Miss 22 de Agosto”. No teste de leitura de texto e voz (locução) nem chegou a terminar, pois o diretor pediu para que não continuasse. “Achei que tinha reprovado, mas ele disse que estava ali o tipo de voz que queria. Agora vamos fazer o vídeo. Ele aprovou dizendo que parecia que eu havia nascido junto coma câmera”. De tudo um pouco Zezé ficou na TV durante sete anos e meio. Ali apresentou jornal, programa infantil, sinopse de filmes, receitinhas. Até que foi para o rádio. Fazia os dois segmentos. Até que Geraldo Polezze a chamou para a Rádio Cultura em 1983, onde apresentava jornal com o Polezze, Antonio Carlos Araújo, reportagens de rua e programa de variedades. Sua primeira reportagem na rádio foi com o prefeito Clodoaldo Medina.


Repórter de rua


Trabalhou com José Carlos Magdalena durante oito anos como repórter de rua. Noticias às 5, 6 da manhã. Ia atrás de bandido, fazia reportagens pesadíssimas quando trabalhou com o Madalena, onde permaneceu por oito anos repórter de rua, tanto que conhece praticamente todos os bairros da cidade. Zezé conta que adora limpar casa, cozinhar, pegar receitas, fazer pratos diferentes. Corintiana, adora assistir futebol. O filho para ela sempre foi seu grande amigo, seu amor, confidente, companheiro e vice-versa. Têm uma amizade de causar inveja. É um amor que não tem fim, diz ela, que está rindo de orelha a orelha, pois vai ser avó. Brasil FM A morte do irmão, Wagner Bellini, único homem entre muitas irmãs, foi e é algo muito difícil. “A gente rezava e torcia para que ele ficasse bom, curado. Pois se perdesse a voz ele acabaria se entregando e foi o que e aconteceu. É duro, mas Deus sabe o que faz, mas é difícil você entender que isso aconteça com uma pessoa que tinha uma voz maravilhosa, um profissional com tamanha humilde e de repente… perder do jeito que… não é fácil. Faço uma idéia, porque eu me senti sem uma ‘perna’ e sem muleta, sem nada, um dia quando depois de 23 anos que fui demitida, mandada embora da Rádio Cultura. Eu pensava assim: eu vou parar de falar? Você não tem mais espaço em Araraquara, pensava comigo mesma. O mundo caiu pra mim. Achei que não ia mais… Mas sair da cidade, na altura dos acontecimentos, nunca me passou pela cabeça. Foi quando Padre Fernando Fraga e Wagner Luiz me abriram as portas da Rádio Brasil. Fiquei imaginando, então quando eu fiquei sabendo da doença do meu irmão me veio toda essa história, pois eu já estava aposentada e queria continuar trabalhando, falando. Imagina ele, perder a voz. Foi algo lamentável”.
Na raça
Na Brasil FM 104,9 Zezé faz o jornal, das 9 às 11 horas, com o ancora Wagner Luiz, e das 12h30 às 15 horas tem seu programa musical. Nunca teve fono. Nunca fez curso de jornalismo. O de radialismo, sim, por conta do registro. Nunca foi de impostar a voz. “As pessoas dizem que a minha voz continua a mesma. Graças a São Brás, o protetor da voz”. A ex-gerente de uma empresa de administração, Zezé acredita que se não tivesse ido levar a sobrinha Mirela à televisão num programa infantil, lá nos altos dos Britos, naquele dia, correria atrás, pois acredita que o destino já está traçado. “Acho que estava escrito e tem mais, se não fosse locutora iria ser cantora, embora cante nas rodinhas de amigos”. Falar para quem tem o dom é fácil, mas atingir as pessoas com suas palavras é outra coisa. Zezé é assim: tem algo a dizer.

(Publicado em 11 de outubro de 2009)

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